terça-feira, fevereiro 07, 2006

Ainda não eram 10 da manhã…

E eu já estava encafuada na cave de uma loja ali algures para aquela rua ao pé de uma rotunda que hoje levou um banho danado, a escolher vinhos.

Pois é, vinhos! Ora bem, quem me conhece, sabe que esta não é, definitivamente, matéria que domine. E quem me conhece sabe também que eu funciono mal em matérias mal dominadas. Esta é uma delas. Vinhos.
Como nem sequer bebo, e quando o faço, tanto se me faz que seja uma Tapada das não sei das quantas de 1996, reserva ultra especial ou vinhaça extraída da uva mais podre, sabe-me tudo ao mesmo, e a careta é sempre a mesma.

Mas uma coisa sou eu e a minha assumidíssima falta de conhecimento, outra coisa é querer e insistir (e nestas coisas de insistir, eu sou mestra!) em oferecer a alguém muitíssimo especial um bom vinho.

Foi uma aventura. Continuando….10 horas da manhã e eu numa cave de uma loja pejada de garrafas de todas as cores, de todos os sabores, de todos os preços.

Entrei como quem entra em busca de salvação. “Olhe, desculpe, eu não sei patavina de vinhos, mas o senhor até sabe, e eu preciso de oferecer um excelente vinho a uma pessoa que, por acaso, o senhor também conhece e também sabe que essa pessoa sabe de vinhos e que até cá vem comprá-los e tudo e tudo tudo, SOCORROOOOO!”

“Oh minha menina, veio ao sitio certo, vamos até lá abaixo” – disse-me o velhote de bata azul e com as mãos cagadas de presunto que tinha acabado de esquartejar. O que eu desejei que nesse momento aquele velhote fosse um rapazote alto (altíssimo), olhos verdes, boca carnuda….e que me levasse a explorar aquela cave cheia de garrafas como se de uma gruta tratasse e andássemos em busca da espécie mais rara de morcegos. Mas não. Estávamos ali, eu e o velhote, em busca da garrafa de vinho perfeita. Era esse, e apenas esse o meu propósito. 2 minutos após a nossa chegada à Cave da loja, eu já estava com 4 garrafas nos braços, todas com a garantia do expert que eram do melhor que ali se vendia. A mais barata custava….200 e poucos Euros!

Houve ali um momentito ou outro que eu li nos olhos no cabrão do velho. “Esta monga não percebe um caralho do assunto, o negocio até está fraco, é hoje que faço a minha maior comissão do mês para ir estoirá-la no Bingo lá do bairro!”.
Juro que foi isto que li, até porque como mulher que sou, esta coisa da intuição feminina a mim raramente falha.

197 garrafas de vinho depois, fiz a minha escolha. O velho deixou de sorrir languidamente como o tinha feito até então e saí dali, mais ou menos satisfeita.

Agora, estou aqui com uma duvida do 14. Eu excedo-me nas ofertas, é sempre assim e já não há nada a fazer. Mais uma vez excedi-me. Se o cabrão do aniversariante não gostar deste vinho, o cabrão do velho da loja que me chulou à grande e à portuguesa, vai conhecer a verdadeira “Ira das Vinhas”!

7 Comments:

Anonymous Carmo said...

já andas a bisitar a tasca do Sr.Alverto..ai andas andas!
Coitado do belhote!Veijos trola.. e outro pá sócia!

2:02 da tarde  
Anonymous dianadosbosques said...

Não é por nada mas conhecendo a compradora do vinho como conheço, até a estou a ver no filme da escolha do vinho perfeito ehehe...
Desgraçado do cabrão do velho se teve o azar de engrupir a dita compradora... beijocas às duas

10:13 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

quando comprarem para mim, pode ser uma caixita de seis de monte velho branco ...
não sou exigente

beijos para a princesa e para a encanitada

12:34 da manhã  
Blogger Beyond the Invisible said...

Foi dos posts mais divertidos que li até hoje,...conseguiste fazer-me rir a sério e agradeço-te por isso....tudo isto só vindo de ti minha balda linda :-=)__blood_kiss**

12:18 da manhã  
Blogger Princess Fabiana said...

ai o cabrão do velho!!!! loooooooooooooooool... esta genial...
beijocas pa vcs

Fabiana

4:24 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Keep up the good work »

4:45 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

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11:08 da manhã  

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