sexta-feira, fevereiro 24, 2006

Lembrança e Saudade

Podem parecer sinónimos,
Ideia igual, mas diferente no sentir.

Lembrança é da memória,
Saudade é da alma.

Lembranças surgem com um cheiro
uma música, uma palavra...

Saudade surge sózinha,
emerge do fundo do peito onde é guardada com carinho.

Lembrança pode ser boa, mas quando não é,
podemos afasta-la convocando outra lembrança,
outro pensamento para o lugar, ligando a televisão, lendo um livro...

Saudade é sempre boa, mesmo quando doi
e não se apaga mesmo quando outra pessoa tenta ocupar o lugar.
Ela pode coexistir com um novo amor, sem o machucar.

Lembrança é algo de real, de um lugar,
uma época, uma pessoa...

Saudade pode ser do que nunca houve,
de uma possibilidade, de lábios jamais tocados.

Lembrança pode ser contada, medida, localizada,
e com algum esforço, pode até ser calculada.

Saudade é dos poetas, é pautada em rimas e melodias.

Lembrança pode ser sem som, pode não doer.

Saudade jamais é sem som.
Se ela não vier com música de fundo, a gente coloca
só para ficar mais bonita, mais gostosa de sentir.

Lembrança vence a morte,
mas conforma-se com a ausência,
respeira convenções.

Saudade ignora a morte,
vence distâncias, barreiras e preconceitos.

Lembrança aceita o nosso comando,
vai e volta quando queremos.

Saudade é irreverente, independente
e auto suficiente.

Muitas Lembranças, poucas Saudades.

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Somos Perfeitas !!!

Não ficamos carecas ...
Temos um dia internacional ...
Sentar de perna cruzada até fica bem e não doi ...
Podemos usar tanto rosa como azul ...
Sabemos sempre que o filho é nosso
Temos prioridade em botes salva-vidas ...
Não pagamos a conta. No máximo dividimos ...
Somos os primeiros reféns a serem libertados ...
A idade não atrapalha o nosso desempenho sexual ...
Podemos ir para o trabalho de bermudas e sandálias ...
Se somos traídas, somos vítimas; se traímos, eles são cornos ...
Podemos dormir com uma amiga sem sermos chamadas de lésbicas ...
Somos capazes de prestar atenção em várias coisas ao mesmo tempo ...
Mulher de embaixador é embaixatriz, marido de embaixadora não é nada ...
Mulher de presidente é Primeira Dama; marido de Presidenta é um zero á esquerda, mesmo que seja de direita ...
Se resolvermos exercer profissões predominantemente masculinas, somos pioneiras, se um homem resolver exercer um profissão tipicamente feminina, é bicha ...

E por último: Fazemos tudo o que um homem faz, e de SALTO ALTO !

SOMOS O MÁXIMO !!!!!!

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Ainda não eram 10 da manhã…

E eu já estava encafuada na cave de uma loja ali algures para aquela rua ao pé de uma rotunda que hoje levou um banho danado, a escolher vinhos.

Pois é, vinhos! Ora bem, quem me conhece, sabe que esta não é, definitivamente, matéria que domine. E quem me conhece sabe também que eu funciono mal em matérias mal dominadas. Esta é uma delas. Vinhos.
Como nem sequer bebo, e quando o faço, tanto se me faz que seja uma Tapada das não sei das quantas de 1996, reserva ultra especial ou vinhaça extraída da uva mais podre, sabe-me tudo ao mesmo, e a careta é sempre a mesma.

Mas uma coisa sou eu e a minha assumidíssima falta de conhecimento, outra coisa é querer e insistir (e nestas coisas de insistir, eu sou mestra!) em oferecer a alguém muitíssimo especial um bom vinho.

Foi uma aventura. Continuando….10 horas da manhã e eu numa cave de uma loja pejada de garrafas de todas as cores, de todos os sabores, de todos os preços.

Entrei como quem entra em busca de salvação. “Olhe, desculpe, eu não sei patavina de vinhos, mas o senhor até sabe, e eu preciso de oferecer um excelente vinho a uma pessoa que, por acaso, o senhor também conhece e também sabe que essa pessoa sabe de vinhos e que até cá vem comprá-los e tudo e tudo tudo, SOCORROOOOO!”

“Oh minha menina, veio ao sitio certo, vamos até lá abaixo” – disse-me o velhote de bata azul e com as mãos cagadas de presunto que tinha acabado de esquartejar. O que eu desejei que nesse momento aquele velhote fosse um rapazote alto (altíssimo), olhos verdes, boca carnuda….e que me levasse a explorar aquela cave cheia de garrafas como se de uma gruta tratasse e andássemos em busca da espécie mais rara de morcegos. Mas não. Estávamos ali, eu e o velhote, em busca da garrafa de vinho perfeita. Era esse, e apenas esse o meu propósito. 2 minutos após a nossa chegada à Cave da loja, eu já estava com 4 garrafas nos braços, todas com a garantia do expert que eram do melhor que ali se vendia. A mais barata custava….200 e poucos Euros!

Houve ali um momentito ou outro que eu li nos olhos no cabrão do velho. “Esta monga não percebe um caralho do assunto, o negocio até está fraco, é hoje que faço a minha maior comissão do mês para ir estoirá-la no Bingo lá do bairro!”.
Juro que foi isto que li, até porque como mulher que sou, esta coisa da intuição feminina a mim raramente falha.

197 garrafas de vinho depois, fiz a minha escolha. O velho deixou de sorrir languidamente como o tinha feito até então e saí dali, mais ou menos satisfeita.

Agora, estou aqui com uma duvida do 14. Eu excedo-me nas ofertas, é sempre assim e já não há nada a fazer. Mais uma vez excedi-me. Se o cabrão do aniversariante não gostar deste vinho, o cabrão do velho da loja que me chulou à grande e à portuguesa, vai conhecer a verdadeira “Ira das Vinhas”!

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

Preciso que...

alguem me ensine a dormir.