terça-feira, janeiro 31, 2006

Nascemos Mulheres

Joguem-nos pedras, quem quiser!
Fazer o quê?
Nascemos mulheres
sujeitas a chuvas e tempestades
à mercê de mentiras e maldades
de loucuras e insanidades.

Viemos ao mundo prontas para sofrer
e com isso nada perder
porque caímos e nos levantamos
morremos e de novo andamos.

Das nossas infantilidades nem vos vamos falar
são tantas que é melhor nem contar.
Quanto á nossa inocência só podemos dizer
que quanto mais o tempo passa
mais ela tende a crescer.

Parece que estamos a ficar burras,
cegas e surdas.
Nossos discursos mudaram
nossas rotas se alteraram.
Nossas certezas agora se confundem.
Nossas dúvidas aumentaram
e nossas inseguranças triplicaram.

E aí envolvemo-nos em situações descabíveis
cometemos actos horríveis
tudo em nome do amor
que em seguida nos remetem à dor.

Às vezes, sentimo-nos meninas
vivendo em plena adolescência
com todas aquelas urgências
que surgem junto a primeira menstruação.

Depois sentimo-nos umas velhas sem emoção
cansadas de guerra
parece que nem temos mais coração.
Fazer o quê?

Nascemos mulheres e sangramos todo mês
foi assim que fomos feitas
e quando a natureza ordenar
que paremos de sangrar
com certeza lá dentro do peito
o tal do sangue vai continuar a jorrar.

Aí voltaremos apaixonar-nos
e ficar bobas, pateticamente inocentes
e vão-nos julgar incoerentes
e atirar-nos pedras pelas costas e pela frente.

Mas o que podemos fazer?
Mulheres, já tinha sido decidido que iríamos ser
e nós não podemos essa decisão reverter.


(Silvana Duboc) Adaptado por nós.

4 Comments:

Anonymous Carmo said...

e muito bem adoptado..força sócias!

12:43 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Nao sei sé impressao minha, mas parece que as Padeiras d'Aljubarrota vao voltar a atacar.
Veremos!
Mas força neles!

1:08 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Socias obrigados pelos almocos
pelos jantares pelos lanches...
ah o vosso Blog ta impakavel..

el raton

1:44 da tarde  
Anonymous dianadosbosques said...

Bem, bem, bemmmmm....
Estou a gostar de ver :)
Qualquer coisa neste poema me soa a algo familiar ehehe
Continuem, está a ir muito bem...
Bejocas às duas

1:47 da tarde  

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